A diretoria da Coamig participou ontem, 26 de novembro, da audiência pública realizada em Guarapuava para discutir a duplicação do trecho da BR-277 na Serra da Esperança. O encontro foi convocado pelos deputados estaduais Cristina Silvestri (PP) e Fábio de Oliveira (Podemos) e reuniu autoridades, representantes de entidades, especialistas e a comunidade regional, todos focados em um ponto comum: a obra é urgente, necessária e já passou da hora de sair do papel.
Durante a audiência, foram apresentados dados que reforçam a gravidade da situação. Nos últimos cinco anos, mais de 400 acidentes foram registrados apenas na Serra, com uma média equivalente a 1 morte a cada 40 dias. O estudo, elaborado com apoio da Polícia Federal e complementado por uma pesquisa acadêmica sobre a geologia da região, mostrou que o risco é permanente, com histórico de deslizamentos e instabilidade no trecho atual.
Além da questão de segurança, o impacto econômico preocupa. A BR-277 é a principal rota de escoamento da produção agropecuária do Paraná. Cerca de 65% do que o Estado produz passa pela região, incluindo grãos, carnes, insumos e, de forma significativa, a produção leiteira. Cooperativas como Coamig e outras dependem diariamente do trajeto para transportar mercadorias, atender produtores e manter a cadeia produtiva funcionando.
Para a Coamig, o prejuízo causado pelos congestionamentos frequentes na serra é evidente. A cooperativa trabalha com produtos perecíveis, movimentando leite em ambos os sentidos da rodovia. Cada hora de caminhão parado representa custo operacional elevado, perda de eficiência e risco para a qualidade do produto. Além disso, colaboradores e técnicos enfrentam um trajeto cada vez mais demorado e inseguro, o que compromete o atendimento dentro das unidades e junto aos cooperados.
O problema logístico afeta também a entrega de produtos entre as lojas da cooperativa. Atrasos recorrentes prejudicam o fluxo de trabalho e impactam o cliente final, que depende de agilidade para manter suas atividades rurais em dia.
Durante a audiência, foi iniciado um abaixo-assinado que será encaminhado à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), com pesquisa técnica de volume de tráfego, risco de acidentes e potencial de escoamento de carga. A presença da Coamig fortalece o movimento, já que dá voz a produtores e cooperados que dependem diretamente da BR-277 para comercialização de insumos e produtos.
Para o presidente da Coamig, Elton Lange, a duplicação é uma pauta que não pode mais esperar. Ele enxerga o tema como prioridade estadual e defende união política para acelerar o processo. Em sua fala, enfatizou o peso da obra para quem produz:
A duplicação da Serra da Esperança é urgente. Quem vive aqui sabe que não é mais possível depender de uma estrada que trava por horas, coloca vidas em risco e atrapalha quem precisa produzir. Para nós, da Coamig, o impacto é diário. Trabalhamos com produto perecível, transportamos leite para cima e para baixo, fazemos entrega para as lojas, abastecemos cooperados e clientes. Cada parada, cada gargalo, cada hora perdida custa caro. Custa tempo, eficiência e competitividade. A BR-277 é a espinha dorsal do escoamento da produção agrícola e leiteira da região. Nossa posição é clara: essa obra precisa começar agora para terminar antes. O cooperado merece isso.
Com participação ativa da Coamig e de outras instituições regionais, a audiência pública reforçou que a duplicação não é apenas uma demanda por fluidez no trânsito, mas uma necessidade estratégica para o desenvolvimento econômico e a segurança de toda a população que depende da BR-277. O compromisso agora é manter a pressão para que a obra avance sem demora.
Foto: Assessoria de Comunicação UTFPR