Representantes da Coamig participaram, na terça-feira (28 de outubro), do evento "Café de Oportunidades: Reforma Tributária na Prática", realizado no Cilla Corporate Tower, em Guarapuava. A iniciativa foi promovida pela D'Valore, Tahech Advogados e Teorema Sistemas, reunindo empresários, gestores e profissionais de diferentes segmentos para discutir as transformações previstas na nova Reforma Tributária e seus reflexos diretos no setor produtivo.
O encontro teve como proposta aproximar o setor empresarial das mudanças que entrarão em vigor nos próximos anos, oferecendo um espaço de diálogo entre especialistas e representantes do mercado. A programação incluiu palestras técnicas, momento para esclarecimento de dúvidas e networking, reforçando a importância do planejamento e da adaptação diante das novas diretrizes fiscais.
Entre os palestrantes estiveram Daniele Basílio, Salvador Oliveira e Marciano Buffon, que abordaram os principais pontos da transição para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributos que substituirão gradualmente o ICMS, ISS, PIS e Cofins até 2033.
A contadora Daniele Basílio destacou que o período de transição exigirá atenção das empresas, especialmente para quem planeja novos investimentos.
"Se o investimento for feito em 2026, o crédito ainda será de 15%. Já em 2027, o crédito passa a ser de IBS e CBS. É uma decisão que precisa ser muito bem planejada, pois impacta todo o negócio e não apenas a área fiscal", explicou.
Ela também chamou atenção para a nova tributação sobre operações de importação, cujo fato gerador passará a ser o destino da operação, reduzindo a chamada "guerra fiscal" entre os estados. Já o consultor tributário Salvador Oliveira ressaltou o caráter transformador da reforma, mas alertou para os desafios que virão:
"O setor de serviços deve sentir um aumento na carga tributária, já que o ISS, que hoje tem alíquota máxima de 5%, será substituído por um imposto de cerca de 18%. Por outro lado, a indústria tende a ser beneficiada pelo maior aproveitamento de créditos", afirmou.
Durante o evento, também foram discutidos temas como a criação do imposto seletivo sobre produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, o chamado "imposto do pecado" , as incertezas sobre as alíquotas de referência e os critérios de distribuição da arrecadação entre estados e municípios, ainda em debate no Congresso Nacional. Apesar das indefinições, os especialistas foram unânimes em apontar que o momento exige estudo, planejamento e adaptação. A Reforma Tributária, afirmaram, impactará todas as áreas das empresas, desde a precificação e os orçamentos até a tomada de decisões estratégicas.