A primeira entrega de leite da família Serotiuk foi de apenas 17 litros. Hoje, a propriedade produz quase 1.200 litros por dia, com cerca de 40 vacas em lactação e média próxima de 28 litros por animal. Entre os dois números, há uma trajetória de trabalho, decisões cuidadosas e participação de duas gerações.
Do começo simples ao crescimento
As entregas de leite à Coamig começaram por volta de 2008 ou 2009, ainda em pequena escala. A atividade ganhou novo impulso por volta de 2012, quando Salvador e Irene compraram cinco vacas, uma ordenhadeira de balde ao pé e um resfriador de cerca de 500 litros. Naquele período, o leite chegou a ser levado em carrinho de mão até o ponto de coleta, e a primeira silagem exigiu muito trabalho manual.
Com o avanço da produção, o resfriador passou de 500 para 1.500 e, depois, para 2.500 litros. Por volta de 2020, a propriedade também ganhou um barracão. O rebanho foi ampliado principalmente com animais nascidos na própria propriedade, pela retenção das fêmeas e pelo uso da inseminação artificial.
Decisões com os pés no chão
A família mantém animais jovens para sustentar os próximos passos. O objetivo é ampliar gradualmente o rebanho e a produção, mas o crescimento não será feito a qualquer custo.
"Não é algo para fazer do dia para a noite, se endividar e depois não conseguir pagar. Tem muito planejamento, não é só o financeiro", destaca Andrey.
Para Andrey, estrutura, alimentação, reprodução, mão de obra e capacidade de pagamento precisam avançar juntas. Essa visão levou à contratação de uma consultoria externa voltada à gestão e à nutrição do rebanho. Andrey conheceu o serviço ao acompanhar, pela internet e pelas redes sociais, o trabalho realizado em outras propriedades leiteiras. Com indicadores de custo e produtividade, os ajustes passaram a ser avaliados pelo retorno de cada litro produzido.
A Coamig dentro da porteira
A relação da família com a Coamig acompanha toda essa trajetória. Desde as primeiras entregas, quando o volume era anotado à mão nos antigos folhetos de coleta, os Serotiuk permanecem cooperados. Com o passar dos anos, esse vínculo se ampliou e passou a incluir apoio ao financiamento, acesso a insumos e orientações sobre qualidade do leite, vacinação, reprodução, alimentação e formação das lavouras para silagem.
O agrônomo Matheus Schneider acompanha a lavoura e a técnica de campo Elaine Eidam orienta a nutrição e o manejo do rebanho. O trabalho integrado permite observar toda a cadeia produtiva: do preparo do solo ao alimento colocado no cocho e, finalmente, ao leite armazenado no resfriador.
O acompanhamento técnico amplia as informações disponíveis para que Salvador, Irene e Andrey avaliem cada alternativa de acordo com a realidade da propriedade. Assim, a cooperativa participa das decisões sem substituir o conhecimento de quem vive diariamente a atividade.
Sucessão construída no dia a dia
Andrey passou a incorporar novas ferramentas de pesquisa e gestão à rotina da propriedade. Salvador contribui com a experiência construída na prática, enquanto Irene integra a base familiar que sustenta a trajetória desde o início.
A sucessão não representa o afastamento dos pais, mas a continuidade do que eles construíram. O conhecimento de Salvador e Irene se une à disposição de Andrey para buscar assistência técnica, acompanhar indicadores e preparar novos investimentos.
O próximo passo já está sendo preparado
A primeira meta é alcançar 2 mil litros por dia. Depois, o objetivo é chegar a cerca de 100 vacas em lactação e produzir 3 mil litros diários. Cada avanço depende da preparação da estrutura, da qualidade da silagem, da formação do rebanho, do controle dos custos e da capacidade de manter a atividade saudável.
Com Salvador, Irene e Andrey unidos, e com a Coamig presente dentro da porteira, a propriedade segue adiante sem perder o que sustentou toda a trajetória: trabalho familiar, decisões conscientes e planejamento. A experiência dos pais e a disposição do filho para buscar novas soluções transformam a sucessão em um projeto concreto de continuidade.