O El Niño voltou a influenciar o clima e
deve permanecer ativo até, pelo menos, o início de 2027. No Paraná, as
previsões indicam maior frequência de chuvas, passagem de sistemas frontais e
possibilidade de volumes acima da média, especialmente durante a primavera.
Também podem ocorrer episódios de chuva intensa, rajadas de vento, descargas
elétricas e granizo.
Para o mini e pequeno produtor rural,
principalmente aquele que trabalha com produção de leite em regime de
agricultura familiar, os efeitos do excesso de chuva não ficam restritos à
lavoura. Uma dificuldade pode puxar a outra.
O solo encharcado pode prejudicar a aveia.
A falta de tempo firme pode diminuir a janela para fazer a silagem. O barro
pode aumentar os cuidados necessários com os animais. Estradas danificadas
podem dificultar a chegada dos insumos e a coleta do leite.
Por isso, é importante olhar para a
propriedade como um sistema completo, que começa no plantio e termina no tanque
de leite.
A aveia ocupa um papel importante na
alimentação do rebanho leiteiro, especialmente durante os períodos mais frios.
Entretanto, o excesso de chuva pode encharcar o solo e dificultar a entrada de
animais e máquinas nas áreas de cultivo.
Quando o solo está muito úmido, o pisoteio
pode aumentar a compactação e danificar a pastagem. Também pode haver atraso no
corte, no pastejo e em outros manejos necessários.
Mesmo quando a planta apresenta bom
crescimento, a dificuldade de entrar na área no momento correto pode fazer com
que a aveia passe do ponto ideal de utilização. Com isso, o produtor pode
perder qualidade e aproveitamento da forragem.
Não basta ter pasto disponível. É preciso
conseguir utilizá-lo no momento certo.
A produção de silagem depende de uma
sequência de operações realizadas no período correto: corte, transporte,
compactação e fechamento do silo.
Com menos dias de tempo firme, a janela
para realizar esse trabalho pode ficar menor. Isso aumenta o risco de colher a
planta fora do ponto ideal ou de ensilar um material com umidade excessiva.
A silagem é conservada por fermentação em
um ambiente sem presença de ar. Por isso, o teor de umidade, a compactação e a
vedação são fundamentais para preservar a qualidade do alimento.
Quando o material é armazenado muito úmido,
podem ocorrer maior produção de efluentes e perdas durante o processo de
fermentação. A entrada de água pelas laterais ou pela cobertura do silo também
pode comprometer o alimento.
Antes de iniciar o trabalho, o produtor
deve observar a previsão do tempo, organizar as máquinas, preparar o silo e
garantir que haja mão de obra suficiente para concluir o serviço sem
interrupções.
Silagem bem-feita começa no planejamento.
O aumento das chuvas pode gerar barro nos
corredores, nas áreas de espera, nos locais de alimentação e nos espaços onde
os animais permanecem durante o dia.
Esse ambiente favorece o acúmulo de sujeira
nos tetos e no úbere, aumentando a necessidade de cuidados com a higiene antes
da ordenha. A mastite é uma inflamação da glândula mamária causada
principalmente por agentes infecciosos, e a prevenção depende de boas práticas
de manejo, limpeza e controle sanitário.
A umidade constante também pode contribuir
para o surgimento de problemas nos cascos, desconforto e dificuldade de
movimentação.
Quando a vaca fica desconfortável, reduz o
tempo de descanso ou enfrenta problemas de saúde, a produção pode ser
prejudicada. Por isso, manter áreas secas, limpas e bem drenadas também faz
parte dos cuidados com a qualidade do leite.
Atenção especial deve ser dada às vacas em
lactação, bezerras e animais mais sensíveis.
Em períodos de instabilidade climática, não
são apenas a lavoura e os animais que exigem cuidado.
O produtor deve observar as estradas e os
acessos utilizados pelo caminhão que faz a coleta do leite. Valetas, bueiros e
canais de escoamento precisam estar desobstruídos para reduzir o acúmulo de
água.
Telhados, calhas e locais de armazenamento
também devem ser revisados. Rações, medicamentos, sementes, fertilizantes e
outros insumos precisam permanecer protegidos da chuva e da umidade.
Outro ponto importante é a drenagem ao
redor do silo, da sala de ordenha e dos locais onde os animais recebem
alimentação.
Também é recomendável ter um plano para
possíveis faltas de energia, principalmente em propriedades que dependem de
ordenhadeiras, resfriadores de leite, bombas ou outros equipamentos elétricos.
Cuidar da estrutura da propriedade também é
proteger a produção.
·
acompanhar diariamente a
previsão do tempo;
·
revisar valetas, calhas,
bueiros e sistemas de drenagem;
·
organizar as janelas de corte e
ensilagem;
·
proteger rações, insumos e a
cobertura do silo;
·
evitar a entrada de máquinas em
solos muito encharcados;
·
manter áreas secas para o
descanso e a alimentação do rebanho;
·
reforçar os cuidados de higiene
durante a ordenha;
·
verificar os acessos utilizados
para a coleta do leite;
·
planejar alternativas para a
alimentação dos animais;
·
buscar orientação técnica antes
de tomar decisões importantes.
O planejamento da alimentação permite
antecipar possíveis períodos de escassez ou excesso de forragem e organizar
estratégias para ajustar a dieta dos animais. Nesse processo, a orientação de
um profissional é fundamental.
Os impactos do El Niño podem variar de uma
região para outra e também de uma propriedade para outra. Por isso, as
previsões devem ser acompanhadas constantemente.
Não é possível controlar o clima, mas é
possível organizar a propriedade para enfrentar melhor os períodos de excesso
de chuva.
Cada decisão tomada com antecedência ajuda
a proteger a aveia, a silagem, o rebanho, a qualidade do leite e a renda da
família produtora.
Conte com a equipe técnica da Coamig para
avaliar a realidade da sua propriedade e planejar as melhores alternativas para
a alimentação e o manejo do rebanho.