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Planejamento agropecuário da produção de leite em pasto

Um belo dia eu estava sentado antes de ministrar uma palestra, quando ouvi uma conversa entre dois ou três produtores que dizia assim: “ano que vem vai ser bom de chuva e nós não vamos sofrer tanto com falta de alimentos para vacas”! Este fato me deixou contente e ao mesmo tempo, muito triste. Mas porque triste e contente ao mesmo tempo? A resposta é simples...

No Brasil que vivemos, com juros baixos, mas com impostos altos, todo e qualquer pensamento positivo nos deixa alegres por que vemos nos olhos do produtor a alegria de produzir e esperar por um dia melhor. Sendo assim, a minha parte feliz é por causa disso. Para tanto, minha outra parte, que ficou triste é por pensar que alguém ainda tem esperança de que não precisamos guardar alimento para o período seco. Este fato não entra na minha consciência.

Senhores, tenho religião e sou temente a Deus e ele nos deixou uma mensagem que sempre temos que prosperar. Prosperar na nossa mentalidade não é esperar por um mundo melhor e sim fazer um mundo melhor. Pois bem, será que temos que esperar o alimento aparecer ou temos que produzi-lo? Devemos esperar o capim crescer sozinho? A vaca não precisa comer? Ela vai fazer regime?

No 'tempo do vovô' ele me dizia que temos que trabalhar e plantar. Depois molhe, adube e deixe a planta que cresça. Só vou à horta pegar alface se eu plantei. Não posso colher alface se plantei almeirão. E ainda, não adianta eu plantar dois pés de alface e querer colher 200 pés. Isso nunca ocorrerá.

Ao produzir forragem, por muitas vezes nos deparamos com sistemas falhos e que, na maioria dos casos, não repõe ao menos os nutrientes extraídos pela produção. Portanto, não acrescentam nenhum nutriente extra para que haja aumento da produção. Se eu não reponho os nutrientes como eu quero que minha forragem produza para meus animais?

Nos sistemas de pastejo rotacionado, preconiza-se na pastagem, a rotação de piquetes, em função do período de descanso do capim bem como dias de ocupação e por último, ajuste de lotação. Pois bem, começaremos a falar do fim, que é a falta de forragem. Se há inverno, há falta de condições para o crescimento, sobretudo luz e temperatura, que limitam o crescimento forrageiro. Neste sentido, se não há comida para os animais, têm-se que suprir esta falta. Desta forma, se não temos capim no pasto, teremos que suplementar no cocho.

Uma alternativa utilizada, principalmente por produtores de leite, é o uso da cana com ureia. Esta cana tem sua produção ótima, e ainda produção de açúcar no colmo, na época seca do ano, que coincide com a baixa produção de capim. Sendo assim, fica fácil utilizar uma forragem que produz no inverno ou época seca para suprir a falta de outro alimento no mesmo período. O que falta neste caso é proteína, mas a ureia acrescida na cana, serve para corrigir o teor de proteína bruta na alimentação de ruminantes.

Outra opção a ser utilizada é a silagem: seja de milho, sorgo, capim ou outra forrageira. Neste momento, abordaremos a silagem de milho. Neste caso, planta-se o milho e com esta área de milho faz-se a silagem para suprir a falta de alimentos na seca. Outra possibilidade de conservar forragem que sobra no verão e falta no inverno é a ensilagem do capim excedente do sistema de pastejo, que não foi pastejado em função das condições favoráveis e talvez, falta de animais para ajuste de lotação. Se no verão temos alta produção de capim, e acaba sobrando no sistema, esta forragem pode ser ensilada e fornecida para os próprios animais do sistema.

De forma geral, colocar o excedente de produção na posição de conservado é fácil, porém são tantos os fatores dentro da propriedade rural, que por muitas vezes a decisão é tomada de imediato e, por isso, tudo acaba indo morro abaixo. Para tanto, o planejamento agropecuário nunca pode ser deixado de lado e deve ser aplicado de forma rigorosa. Produzir animal a pasto (como todo outro sistema) deve atender a todos os pontos, principalmente no fator, provimento de comida. Sim, prover comida para animais não é brincadeira. A produção forrageira depende dos fatores climáticos e por isso não sabemos o quanto vai sobrar, e sim devemos saber, essencialmente, que não irá faltar. Porém, se sobrar, terá muitas saídas e artifícios para contornar. Para a falta, muitas vezes, não há remédio.

Na produção leiteira, pensamos que em pasto, uma vaca em condições normais de manejo e lactação produzirá ao redor de 10 a 12 kg de leite. Após isso, a suplementação deve ocorrer em função da produção de leite. Claramente que aquela vaca que produz mais leite comerá mais ração. Então, a ingestão da forragem bem manejada imprimirá, junto com a ração, uma produção ao redor de até 25 a 30 kg de leite. Será que eu preciso calcular tudo isso?

Planejamento agropecuário significa, perante as informações observadas, planejar de acordo com o que precisamos. Sim, de acordo com que precisamos. Se eu preciso fazer um almoço para 20 pessoas, não posso comprar comida para 19, posso? Posso acreditar que irão faltar algumas, ou uma e tudo dará certo? Sorte precisa quem joga em jogos de sorte. Produtor não pode ter sorte e sim planejamento. Saber o que tem e como deve proceder é fundamental. Lembre-se, alimento para todos e com abundância, significa produzir. Produção se lapida com técnica e com isso tudo, se busca eficiência. Sendo assim, não vamos mais jogar na sorte. Vamos planejar nosso alimento para termos a produção esperada. Um animal bem alimentado não adoece e somente assim, poderá expor seu potencial. Pensem nisso.


Fonte: MilkPoint.

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