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Boas Práticas na Produção de Leite: valores muito maiores do que financeiros

Segundo a FAO, “as Boas Práticas Agropecuárias aplicadas à pecuária de leite tratam da implementação de procedimentos adequados em todas as etapas da produção de leite nas propriedades rurais, o que coletivamente é conhecido como Boas Práticas na Pecuária de Leite. Essas práticas devem assegurar que o leite e os seus derivados sejam seguros e adequados para o uso a que se destinam, e também que a empresa rural permanecerá viável sob as perspectivas econômica, social e ambiental.”

Essa definição vai muito além de simples históricos de resultados de qualidade de leite. Ela abrange diversos aspectos ligados a atividade e que estão no centro das discussões setoriais, chegando aos consumidores. Definindo em um conceito mais amplo, “Boas Práticas são técnicas identificadas como as melhores para realizar determinada tarefa ou um conjunto de tarefas. Portanto, pretende-se monitorar e certificar que os métodos aplicados estão de acordo com o que ficou definido, através de experimentos e estudos práticos, como mais eficientes e seguros”.

A alta complexidade que caracteriza o processo de gestão de uma fazenda leiteira requer que sejam traçadas diversas metodologias de controle em todos os setores do processo produtivo. Aplicar métodos bem definidos e registrar o máximo de dados para orientar a tomada de decisões, quase sempre são os motivos principais de sucesso de uma unidade de produção de leite. Olhando para além das porteiras, a produção agropecuária no mundo todo passa por um momento de fortes questionamentos. Não basta mais produzir com qualidade, é necessário mostrar como se produz.

Recentemente, uma grande empresa lançou uma bebida de coco que claramente tenta ocupar um espaço de gôndola em substituição ao leite original. Estaria tudo na normalidade de mercado se não fosse a agressiva campanha publicitária que motiva veganos ideológicos a conquistar novos consumidores sem “bandeira” com seus discursos fundamentalistas de maus tratos aos animais.

O consumidor leigo não tem argumento de defesa ou conhecimento de causa, não conhece uma fazenda de leite e se assusta facilmente com o desenho de horror traçado pelos radicais. Em uma inteligente, porém antiética estratégia, a publicidade sugere que vacas necessitam de férias.

Promoveram no ato do lançamento, uma “festa de despedida da vaca”. Nas redes sociais, a empresa posta insistentemente fotos da tal vaca agradecendo aos consumidores do “leite de coco” e logo abaixo vem uma série de comentários pejorativos à pecuária leiteira realizados por veganos. Em tese, não é a empresa que está falando mal da produção de leite, mas os “consumidores” que comentam as imagens. Só esquecem de mencionar que esses consumidores são motivados por uma linha de pensamento radical ideológica que não os permite avaliar contra-argumentos com bom senso.

Esse exemplo somente tem potencial de atingir o setor porque não existe um plano bem definido no Brasil de atendimento às Boas Práticas, que incluem métodos para o bem-estar animal. Se o contrário ocorresse, já teríamos empresas de laticínios, fazendas e produtos na gôndola comunicando padrões de trabalho em respeito aos animais, como ocorre em boa parte do mundo. Certamente os veganos radicais continuariam sendo veganos radicais por toda a vida, mas a capacidade de contaminação que eles exerceriam no consumidor normal seria extremamente minimizada, se não, anulada. Nessa realidade, sairíamos dos argumentos e daríamos exemplos práticos.

Provavelmente nenhuma empresa se aventuraria a lançar um produto com a estratégia de denegrir outro produto ou setor, que comunicasse com mais eficiência a responsabilidade com que é produzido. Porém, para comunicar é preciso realizar e se certificar de que está realizando. Apesar de ser baseada em métodos, as Boas Práticas quando aplicadas de forma séria, tornam-se rapidamente hábitos do dia a dia. É comum ouvir de produtores que após a implantação, o esforço do trabalho diário diminuiu em virtude da eficiência alcançada em cada processo.

A nossa experiência na Verde Campo ao longo do tempo, nos ensinou que comportamentos bons, trazem resultados bons. Hoje temos quase a totalidade do leite adquirido de fazendas certificadas em Boas Práticas, motivadas pela Verde Campo, e estamos em um processo contínuo de evolução dos métodos aplicados.


Fonte: MilkPoint


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