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Leite Instável Não Ácido (LINA)

O leite instável não ácido (LINA) é caracterizado por apresentar alterações nas características físico-químicas do leite, sendo a perda da estabilidade da caseína (proteína do leite) a principal alteração observada, ocasionando coagulação positiva no teste do alizarol sem apresentar acidez elevada (ZANELA et al., 2006;BRASIL, et al., 2015; SITTA et al., 2016). Para a indústria o LINA causa vários transtornos, uma vez que a caseína instável, durante o processamento térmico pode ocorrer coagulação do leite, deposição de proteínas nos equipamentos, inviabilidade do processo devido ao maior número de interrupções do processo para limpeza, gelatinização de UHT e menor rendimento no processamento industrial (BRASIL et al., 2015).

As causas da instabilidade da caseína ainda não estão bem esclarecidas. Entretanto sabe- se que estão relacionadas à condição nutricional do rebanho, sazonalidade das pastagens, qualidade do volumoso, elevado fornecimento de concentrado proteico e baixa energia na dieta, desequilíbrio ou deficiência de minerais, estresse térmico e período de lactação (ZANELA et. al.2006; SITTA et.al.; 2016).

Quando tratamos da sazonalidade das pastagens, o início do outono é um período crítico para o aparecimento de LINA devido à escassez de alimento, pois coincide com o vazio forrageiro (final do ciclo das forrageiras de verão e a falta das pastagens de inverno). Dentre os fatores que afetam o aparecimento de leite instável não ácido a restrição alimentar com consequente subnutrição ou desequilíbrio nutricional são os que se destacam na redução da estabilidade do leite (FISCHER et al., 2012; SITTA et al., 2016). O estresse calórico e restrição hídrica também provocam restrição alimentar, isso porque animais nessas condições diminuem a ingestão de alimentos resultando em desequilíbrio nutricional além de queda na produção.

O estagio de lactação avançado tem relação com a instabilidade do leite no teste de alizarol. Vacas velhas ou com muito tempo em lactação são mais propensas a apresentarem LINA devido a quantidade elevada de cálcio iônico no leite o que favorece a precipitação da caseína (FISCHER et al.) Alterações digestivas como acidose ruminal também está relacionada casos de leite instável não ácido, isso porque é gerado um desequilíbrio ácido-base no animal levando a instabilidade da caseína(FISCHER 2012).

Vários são os fatores que podem levar a ocorrência de LINA na propriedade leiteira e devemos ficar atentos para evita-los. A restrição alimentar é o ponto de maior impacto por isso é imprescindível fazer um planejamento forrageiro buscando espécies que possam ser utilizadas em períodos de escassez de pastagem, ter alimentos conservados de boa qualidade (silagem, pré-secado), manter piquetes sombreados e com água disponível, evitar desequilíbrio de proteína e energia na dieta, fornecer mineral forçado e de qualidade, evitar mudanças bruscas na alimentação dos animais, além de fazer a secagem dos animais no período correto são algumas das ações que podem contribuir para evitar casos de LINA na propriedade.

Mariana Gonçalves Oliveira – Médica Veterinária

REFERÊNCIAS

ZANELA, M. B.; FISCHER, V.; RIBEIRO, M. E. R.; BARBOSA, R. S.; MARQUES, L. T.; STMPF JUNIOR, W.; ZANELA, C. Leite instável não-ácido e composição do leite de vacas jersey sob restrição alimentar. Pesquisa Agropecuária Brasileira v.41 n.5 2006.

SITTA, R. T. M.; DALMAS, G. L.; EVANGELISTA, A. G.; HARTMANN, F.; LENOCH, C. Y.; SILVA, P. V. Ocorrência de leite instável não-ácido (LINA) na unidade de ensino aprendizagem (UEA) bovinocultura de leite do Instituto Federal Catarinense – Campus Araquari. In. I Semana de Ensino Pesquisa e Extensão IFC.. Anais Araquari 2016 p.44.

FISCHER, V.; MARQUES, L . T.; ZANELA, M. B.; RIBEIRO, M. E. R.; RODRIGUES, C. M.; PETERS, M. D. P.; HERRMANN, D.; MANZKE, N. E. Tratamento do leite instável não ácido (LINA) em rebanho leiteiro através do manejo alimentar. Disponível em: http://www.ufrgs.br/agronomia/materiais/515220.pdf Acessado em: 19 de setembro de 2017.

BRASIL, R. B.; NICOLAU, E. S.; SILVA, M. A. P. Leite Instável Não Ácido e fatores que interferem a estabilidade do leite. Ciência Animal v.25 n.4 p.15-26, 2015.

FISCHER, V.; RIBEIRO, M. E. R.; ZANELA, M. B.; MARQUES, L. T.; ABREU, A. S.; MACHADO, S. C.; FRUSCALSO, V.; BARBOSA, R. S.; STUMPF, M. T. Leite instável não ácido: um problema solucionável? Revista Brasileira Saúde e Produção Animal v.13 n.3 p838-849, 2012.

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